
27 - invierno 2012
34
STUDIA POLITICÆ
...[a social democracia brasileira] não pode contentar-se, como ocorreu
na Europa, em justapor política fiscal e políticas sociais ao livre jogo do
mercado. Ela tem que representar um forte movimento contra a
desigualdade produzida pelo desemprego, pelo subemprego, pela
disparidade salarial e pela concentração de renda e da propriedade (...)
[Ela] é “desenvolvimentista”, porque sabe que só com o crescimento
econômico, incorporação do avanço tecnológico à produção e à
organização da sociedade haverá maior igualdade de oportunidades, mais
bem-estar e maior segurança para o cidadão. (...) Democracia e
desenvolvimento econômico com justiça social constituem dimensões
inseparáveis da nova sociedade. O avanço dessas dimensões em
detrimento ou como esquecimento das outras não satisfaz a exigência
fundamental do mundo contemporâneo (Os desafios do Brasil e o PSDB,
1989: 8-9, grifos do documento, apud Furtado: 1996).
Outro momento em que é possível observar a aproximação do partido com
as idéias neoliberais é na campanha eleitoral 1989, com o discurso de
Mário Covas, ao deixar o senado para concorrer à eleição presidencial,
pelo PSDB. Nesse momento o candidato prega que o Brasil precisava de
um choque de capitalismo, proposta que foi defendida durante todo
período eleitoral e adotada por Fernando Collor de Mello.
Hoje, com a aceleração das transformações tecnológicas, geopolíticas e
culturais que o mundo está atravessando, a opção é manter-se na van-
guarda ou na retaguarda das transformações. É com esse espírito de van-
guarda que temos que reformar o Estado no Brasil. Tirá-lo da crise, refor-
mulando suas funções e seu papel. Basta de gastar sem ter dinheiro.
Basta de tanto subsidio, de tantos incentivos, de tantos privilégios sem
justificativas ou utilidades comprovadas. Basta de empreguismo. Basta
de cartórios. Basta de tanta proteção à atividade econômica já amadureci-
da. Mas o Brasil não precisa apenas de um choque fiscal. Precisa, tam-
bém, de um choque de capitalismo, um choque de livre iniciativa, sujei-
ta a riscos e não apenas a prêmios (Grifos nossos) (Ayres, 2002:219).
O posicionamento ideológico do partido é uma das questões que tem sido
discutida por seus membros desde sua formação. De acordo com Furtado
(1996), as divisões ideológicas dentro do partido, no momento de sua
formação, foram classificadas em: social-democratas (tendência majoritária
representada principalmente por Fernando Henrique Cardoso, Mario
Covas, Euclides Scalco, Pimenta da Veiga, Artur da Távola), liberais
“progressistas” (tendência mais conservadora, representada por Afonso
Arinos, Jaime Santana, Caio Pompeu de Toledo, Ronaldo Cezar Coelho),
socialistas democráticos (tendência mais a esquerda, formada sobretudo